O Cirque que brilha

ou Um Banho de Soleil. Foi difícil escolher o nome do post porque ele deveria estar à altura do encantamento visual, poético e técnico exposto no espetáculo Quidam, do Cirque du Soleil, que estreia hoje em Porto Alegre.

Ainda na condição de editor de teatro do Segundo Caderno da Zero Hora, assisti a Quidam em dezembro de 2009, na lona armada em Curitiba. A viagem, a convite da TIM, rendeu um comentário que reproduzo abaixo. Acessando esse link, você poderá conferir a matéria sobre Quidam postada hoje em zerohora.com, e que traz um depoimento muito legal de Júlio Cordeiro falando sobre como foi fotografar picadeiros e bastidores do Cirque.

comentário publicado em Zero Hora em dezembro de 2009

O espetáculo começa já quando se está tomando assento na tenda armada para receber o Cirque du Soleil. E nem pela presença de um ator que percorre a plateia interpretando o irascível boxeador Boum-Boum. O espetáculo começa quando se percebe que o Cirque sabe combinar o apelo emocional de uma tenda de circo com tecnologia de ponta. Já no início das quase duas horas de função, com intervalo de 30 minutos sendo cumprido com pontualidade britânica pelo grupo canadense (na verdade, a trupe é integrada por 15 nacionalidades), os pais da pequena Zoé são postos a voar pela imaginação da menina. Não serão os únicos a desafiar a gravidade.

As características do Cirque estão mantidas. Há uma tênue linha dramática: a imaginação da menina vai transgredir preconceitos, gravidade e limites. A aposta é em signos facilmente perceptíveis pelo público: em Quidam, um homem sem cabeça e guarda-chuva é o símbolo da alienação, enquanto a (falta de) liberdade de Zoé ganha forma em um balão vermelho preso numa gaiola, que aparece várias cenas. O clima frenético também se mantém: enquanto ocorre uma acrobacia aérea a 20 metros de altura, ao rés do chão atores cruzam o picadeiro. Tudo é teatro, o tempo inteiro. A música também está em cena: como na maioria dos espetáculos do Cirque, a trilha é tocada em grande parte ao vivo, e mantém seu estilo épico e quase opressivo.

O importante é que o Cirque é circo mesmo. Apesar das maquiagens afetadas, da música sintetizada, dos trilhos que correm sobre as cabeças dos espectadores, da iluminação que inventa planos, o que está em cena ainda é o palhaço irreverente, os acrobatas que se valem apenas de seu corpo, os equilibristas que não usam tecnologia alguma, apenas sua concentração, e pular corda pode ser um número circense nota dez. O fundador e diretor executivo do Cirque du Soleil, Gui Laliberté, não mede esforços para realizar seus sonhos: em outubro, pagou US$ 35 milhões para orbitar a Terra na Estação Espacial Internacional. Ainda bem que entre seus sonhos está Quidam.



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